Paulo Rocaro*
Desmantelada a tentativa de candidatura única, situação e oposição travam uma disputa ferrenha por partidos em Ponta Porã. O prefeito Flávio Kayatt (PSDB) mantém seus aliados como um punhado de areia nas mãos, vendo-os esvaírem entre os dedos por força de uma realidade diferente da que tinha até o mês passado. De peso, estão com ele o DEM e PMDB, que disputam a vaga de vice.
Estes dois travam uma batalha particular, com o DEM apostando em Eduardo Campos e o PMDB indicando o ex-prefeito Bruno Reichardt. Apesar do trabalho de bastidores de Reichardt e o apoio ainda não confirmado do governador André Puccinelli, é praticamente certo que o barco vá naufragar antes de atingir o porto seguro da prefeitura.
Eduardo Campos é de longe o preferido do prefeito e acredito que não terá nenhum problema em derrotar Bruno nas pesquisas. Aliás, o Eduardo está seguro de que é a melhor opção para Kayatt. Tanto que já encomendou o terno e prepara estratégia de campanha, de olho no Paço Municipal daqui a dois anos. E o ‘Edu’ tem fortes razões para deslanchar como o provável vice dos tucanos.
Primeiro, porque as forças que aparentemente apóiam Bruno Reichardt corresponderiam a apenas 50% do diretório do PMDB. Mais rachado do que taquara de tapera velha, o partido de Puccinelli joga com a possibilidade de saltar fora do barco tucano antes do dia 30, caso não seja contemplado com a vaga de vice-prefeito. Todos sabem que a decisão final caberá a Kayatt.
Segundo, porque a outra metade dos peemedebistas já estaria conversando com a oposição neste sentido. A derrota de Bruno Reichardt para Eduardo Campos se configura a partir do momento em que se analisa o próprio curso de opinião no PMDB. Importantes dirigentes do partido estão indo contra a orientação da executiva municipal e têm apoiado publicamente Eduardo Campos.
Então, é de se prever que Flávio Kayatt terá Eduardo Campos como vice. Ocorrendo isso, dada a volubilidade peemedebista, uma de suas alas vai considerar fortemente a possibilidade de aliança com a oposição, que agora tem duas opções: Oscar Goldoni (PDT), que está surgindo engatado com o PT (que indicaria o vice) e Chico Gimenez (PSB), por enquanto firme na disposição de também disputar a prefeitura.
Considerando-se a proximidade de dirigentes peemedebistas com Goldoni, o PMDB teria mais a ganhar indo para a oposição. Chico Gimenez ainda navega em seu projeto de chegar à prefeitura, mas pode se deparar com ‘revertério’ até o final do mês. Se a oposição se unir, haverá dois grupos disputando a prefeitura em condições de igualdade. Isso deve estar tirando o sono do prefeito.
Bastou o senador Delcídio do Amaral e o deputado federal Antônio Carlos Biffi ‘benzerem’ a união PDT-PT para os bastidores de outros partidos começarem a fervilhar. O PCdoB, por exemplo, que havia fechado com o PSB de Chico Gimenez, se reúne em Campo Grande para reavaliar o quadro e é possível que ainda esta semana embarque de vez na canoa de Oscar Goldoni.
Com a definição de candidatura própria no PDT, o PMDB vê fugir o partido com o qual coligaria para garantir a eleição de seu quadro de vereadores. Só passando para a oposição ele consegue resgatar essa condição. Se ficar com Kayatt, terá de se coligar com o PSDB, que tem um time fortíssimo de pré-candidatos à Câmara. O PPS de Álvaro Soares deve confirmar sua coligação proporcional com o DEM.
É claro que muita coisa vai acontecer até o dia 30, último prazo para as convenções que vão definir os candidatos. Mas as vertentes já são claras e concisas. Com dois ou três candidatos à prefeitura, as eleições desde ano serão de tirar pica-pau do oco. E o senador Delcídio deixou claro em Caracol no último sábado: “- Em Ponta Porã só tem dois grupos agora: o do Kayatt e o nosso”. Está dado o recado.
* O autor é escritor e jornalista, presidente do Clube de Imprensa de Ponta Porã, imortal da Academia Pontaporanense de Letras, membro do Lions Clube e diretor da Sodema (Sociedade de Defesa do Meio Ambiente).
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