Geral - 09/03/2010 - 16:31:46
Falar em aumento do pãozinho é 'terrorismo', diz ministro
Agência Brasil
O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse nesta terça-feira que "estão fazendo terrorismo" os que falam que o preço do pão vai aumentar por causa da sobretaxa que o País pode aplicar à importação do trigo americano.
Na segunda-feira, a Organização Mundial do Comércio (OMC) autorizou o País a tomar essa medida como forma de retaliação à prática do governo dos Estados Unidos de pagar subsídios aos produtores de algodão.
"Já tem gente querendo ganhar dinheiro à custa de uma determinada situação", comentou Stephanes em entrevista coletiva para apresentar o sexto levantamento da safra de grãos 2009/2010.
Segundo ele, esse tipo de especulação ocorre porque apenas cinco grandes grupos de moinhos controlam toda a comercialização de trigo no País e sempre pressionam o governo para reduzir a tarifa de importação, embora não aceitem abrir seus estoques.
"Numa reunião, eles pediram a importação com tarifa zero com o argumento de que o preço do pão aumentaria 36% se não fossem atendidos. Eu disse que aceitava, se eles aceitassem abrir os estoques, mas eles não aceitaram. Não os atendemos e o preço não subiu. Eles acham que não sabemos fazer cálculo", afirmou ele.
Segundo Stephanes, apenas 5% do trigo comercializado no País são importados dos Estados Unidos. Além disso, ele ressaltou que o preço do cereal interfere pouco no preço do pão.
"Tem que se considerar que o custo do trigo no pãozinho varia de 10% a 16%. Então, como a restrição de 5% da importação implicaria aumento de 16% no preço? Isso não tem lógica nenhuma. É terrorismo", afirmou.
O ministro mostrou na coletiva um gráfico com a variação do preço do trigo e do pão francês nos últimos três anos, no qual o primeiro sofreu variação de R$ 750 por t em 2007 para menos de R$ 450 por t neste ano. O valor do pãozinho, entretanto, se manteve no mesmo patamar, mesmo com a queda do valor de sua matéria-prima. "Alguém está ganhando dinheiro aí, e não é o produtor", disse Stephanes.
O ministro disse que, até o final deste mês, técnicos dos ministérios da Agricultura e da Fazenda deverão chegar a um consenso sobre o que é melhor para o País em relação à produção de trigo. Segundo ele, as duas pastas precisam solucionar logo suas divergências sobre o assunto para que a decisão tenha reflexo já no próximo plano safra.
"Nossa visão é de que temos 180 mil produtores de trigo que, ao estarem produzindo no inverno, empregam pelo menos mais 180 mil pessoas e conseguem se capitalizar para a produção de soja e milho", afirmou. Para os técnicos do Ministério da Fazenda, no entanto, "" raciocínio é de que, se podemos importar trigo mais barato, isso seria importante para evitar o aumento no preço do pãozinho", disse.
Stephanes apresentou durante o anúncio do sexto levantamento da safra 2009/2010 de grãos, um gráfico com a variação do preço do trigo e do pão francês nos últimos três anos, no qual o primeiro sofreu variação de R$ 750 por t em 2007 para menos de R$ 450 por t este ano. O valor do pãozinho, entretanto, ficou no mesmo patamar, mesmo com a queda do valor de sua matéria-prima.
Perguntado como os técnicos do Ministério da Fazenda poderiam garantir que o preço do pão cairia com a importação de trigo mais barato, o ministro preferiu não responder.
Para compensar a importação do trigo americano, que pode deixar de ocorrer caso o País realmente sobretaxe o produto como forma de retaliação autorizada pela OMC por subsídios ilegais dados pelo governo dos Estados Unidos aos produtores de algodão, Stephanes disse que há outras boas opções. "Não se produz trigo apenas nos Estados Unidos. A Rússia tem trigo bom, o Canadá e a União Europeia também têm", afirmou. A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é de que nesta safra, o País produza 5 milhões de t dos 10,6 milhões de t do cereal consumidos pela população.
Sobre as tarifas internacionais de importação, Stephanes disse que o governo acompanha o mercado, rastreia as informações e, sempre que há necessidade de importar, baixam-se a taxas.
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